Intercâmbio leva descendentes de japoneses ao Japão

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Com cerca de 1,5 milhão de cidadãos de origem japonesa, segundo dados do Governo Federal, o Brasil possui a maior comunidade Nikkei – ou seja, japoneses ou descendentes que vivem fora do Japão – do mundo. Da mesma forma, outros países da América Latina também receberam diversas famílias de imigrantes a partir do final do século 19, que, desde então, influenciaram a cultura, o mercado de trabalho, a culinária e outros aspectos da sociedade latina.

Com o objetivo de proporcionar a esses descendentes uma vivência no Japão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão promoveu nos últimos dias 10 a 18 de setembro, um programa de convite destinados a Nikkeis da América Latina para visitar algumas cidades japonesas. Durante oito dias, o programa promoveu experiências culturais, palestras sobre a sociedade japonesa e visitas de cortesia a diversas autoridades, entre elas, as Suas Altezas Imperiais o Príncipe e a Princesa Akishino, o segundo na linha de sucessão imperial do Japão. Entre os dez selecionados, cinco foram brasileiros, sendo uma representante do Pará, selecionada através do Consulado do Japão em Belém. 

Jornalista da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Jussara Kishi conta que não se tratou de uma viagem meramente turística. “O objetivo do Governo Japonês foi fazer com que sentíssemos de perto o país de nossos ancestrais. Aprendemos sobre como vive a sociedade atual; entendemos mais sobre as políticas externas do Japão, especialmente direcionadas à América Latina; visitamos templos budistas e santuários xintoístas para entender melhor a relação dos japoneses com a espiritualidade; conhecemos as novidades em termos de tecnologia e inovação; e tivemos diversas experiências culturais, tais como visitas a museus e atividades com artesanato tradicional”.

Declarada patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco, a culinária japonesa não poderia ficar de fora da experiência dos Nikkeis, que experimentaram desde os pratos mais famosos, como sushi e sashimi, até outros que estão mais presentes no dia a dia do japonês, como o bento (marmita) e o rámen. As visitas de cortesia incluíram um encontro com Kotaro Nogami, Chefe Adjunto de Gabinete do Primeiro-Ministro Shinzo Abee com Mitsunari Okamoto, Vice-Ministro para Assuntos Internacionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão. 

De toda a programação, no entanto, o evento mais marcante foi a visita às Sua Altezas Imperiais o Príncipe e a Princesa Akishino no Palácio de Akasaka, conta: “Esta visita foi muito especial, pois sabemos que, até mesmo entre os japoneses, são raríssimas as pessoas que têm a honra de conhecer a família imperial pessoalmente. O príncipe Akishino, a Princesa e os filhos são muito queridos pelo povo, e a família imperial como um todo. O grupo pôde conhecer o Príncipe e a Princesa e conversar por cerca de 15 minutos, em inglês. Em 2015, o Príncipe e a Princesa Akishino estiveram no Brasil e vieram a Belém para participar das comemorações dos 120 anos das relações diplomáticas entre Brasil e o Japão.

Além de aumentar a compreensão sobre o Japão atual, o Programa dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros faz parte de uma série de ações do Governo Japonês que têm como objetivo promover a maior integração do Japão no cenário mundial. Nesse sentido, os Nikkeis foram escolhidos como peças-chave para divulgação do Japão em suas respectivas comunidades. Além de Jussara Kishi, coincidentemente, outros dois brasileiros selecionados também são naturais do Pará: os jornalistas Kenzô Machida, selecionado através da Embaixada do Japão em Brasília, e Cinthia Saito, selecionada através do Consulado do Japão no Rio de Janeiro. 

“Foi uma grande oportunidade poder experienciar a vida nesse país de cultura tão rica e milenar. Como jornalista, a viagem foi especialmente importante para o incremento da minha bagagem cultural. E, do ponto de vista pessoal, visitar a terra dos meus antepassados teve um peso muito grande, uma carga emocional que uma pessoa sem vínculos com o país talvez não pudesse sentir. Estou muito grata por essa chance!”, afirma Cinthia Saito. Para Kenzô Machida, estar em contato com suas origens também foi um dos pontos altos do programa. “O que é mais valioso nesse programa é que todos nós temos a oportunidade de entender melhor nossas origens, conhecer pessoalmente uma parte da história e, principalmente, transmiti-la para as futuras gerações. O que ficou desse projeto foi um conhecimento incrível, amizades e um sentimento imenso de gratidão ao país onde a história de minha família começou”, declarou.

Os outros dois brasileiros participantes foram o empresário Edwin Hasegawa, de São Paulo (SP), e o jornalista Matheus Misumoto, de Santos (SP). Os representantes de outros países foram: Christian Noguchi, do Chile; Jair Villacrez, do Peru; Mirta Miyazaki, do Paraguai; Paula Ikeda, da Argentina; e Pedro Kumamoto, do México.

A representante do Pará avalia a experiência. “Para nós, Nikkeis, essa foi não apenas uma viagem enriquecedora em termos de conhecimento, mas também uma experiência emocional, por podermos fortalecer nossos laços com o país de nossos pais e avós. Espero poder ajudar de alguma forma a fortalecer também os laços entre os dois países, que sempre tiveram uma relação de amizade. O Japão se mostra muito aberto à América Latina, investindo e promovendo políticas que ajudam a fortalecer a economia de nossos países em desenvolvimento”, destaca.

Recentemente, após o terremoto que atingiu o México no último dia 19 e matou quase 300 pessoas, o Governo do Japão enviou voluntariamente 72 especialistas em salvamento, emergência e avaliação de estruturas para ajudar os mexicanos. “O Brasil e a América Latina como um todo têm muito a aprender com o Japão, em termos de educação, de cidadania, de bem-estar social. Acredito que eles são o exemplo de que precisamos nesse momento”, finaliza Jussara.

Fonte: http://www.orm.com.br/noticias/para/MTAzNDc=/Intercambio-leva-descendentes-de-japoneses-ao-Japao